Febre amarela

Orientações sobre a vacina da febre amarela

Mariana Fusco Varella

Diante dos novos casos de febre amarela silvestre encontrados em macacos de parques da zona norte da cidade de São Paulo, a doença voltou a ser notícia nos principais veículos de imprensa do país, suscitando muitas dúvidas acerca da vacinação.

A febre amarela é uma doença infecciosa, causada por um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes, como os mosquitos). Há dois tipos da doença:

  • Febre amarela urbana: ocorre em regiões urbanas e é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O último caso de febre amarela urbana registrado no Brasil ocorreu em 1942;
  • Febre amarela silvestre: aparece em regiões de matas e ambientes silvestres, sendo transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. Desde 2016, o Brasil vive um surto de febre amarela silvestre.

Os sinais e sintomas, que são variáveis e podem ser leves, a ponto de ser confundidos com uma virose comum e evoluir espontaneamente, ou muito graves, levando inclusive à morte, são semelhantes nas duas formas da doença.

Toda pessoa que não tenha sido vacinada e resida ou viaje para as áreas com risco de transmissão da doença corre o risco de contrair a febre amarela.

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Vacinação

A forma mais eficaz de evitar a febre amarela é por meio da vacinação. De acordo com a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a vacina é constituída de vírus atenuado, ou seja, um vírus enfraquecido para não causar doenças em pessoas saudáveis, mas que estimula o organismo a produzir a própria proteção contra o vírus. Essa resposta imunológica ocorre cerca de 10 dias após a injeção. A vacina apresenta eficácia acima de 97,5% e a proteção persiste por mais de 40 anos. A aplicação é por via subcutânea.

Quem deve receber a vacina

A vacina é recomendada apenas para as pessoas que vivem ou viajam para as áreas endêmicas (áreas reconhecidas como de risco para a transmissão da doença), e está indicada a partir dos nove meses de idade.  Porém, em condições de surto, poderá ser antecipada para os seis meses de idade. Segundo a SBI, deve ser administrada da seguinte forma:

  • Crianças: primeira dose aos nove meses e 1 dose de reforço aos 4 anos;
  • Crianças menores de 5 anos de idade não vacinadas ou adultos não vacinados: uma dose, com 1 dose de reforço em 10 anos;
  • Maiores de 5 anos com uma dose realizada antes dos 5 anos de idade: 1 dose de reforço.

Já o Ministério da Saúde e a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendam apenas uma dose da vacina, sem a necessidade de reforço, para quem mora ou viaja para as áreas endêmicas.

Quem não pode receber a vacina (contraindicações)

Determinadas pessoas não podem tomar a vacina sem indicação médica, pois algumas situações clínicas aumentam o risco de complicações, alerta a SBI. São elas:

  • Pessoas com alergia a algum componente da vacina ou a ovos e derivados;
  • Indivíduos com doenças que levem a alterações no sistema de defesa congênitas (nascidas com a pessoa) ou adquiridas, incluindo os indivíduos submetidos a terapias como quimioterapia e os que recebem doses elevadas de corticoesteroides;
  • Pessoas com histórico de doença do timo (órgão linfático), incluindo miastenia grave, timoma (câncer no timo) ou remoção prévia do timo;
  • Indivíduos assintomáticos infectados pelo HIV que estejam doentes ou apresentem defesas baixas (CD4 abaixo de 200 células/mm³);
  • Crianças menores de seis meses de idade.

Situações que exigem avaliação especial

Há situações que precisam de avaliação médica, pois o risco-benefício da vacina deve ser considerado, como:

  • Crianças entre seis meses e oito meses de idade;
  • Pessoas com mais de 60 anos;
  • Gestantes;
  • Mulheres amamentando crianças menores de seis meses de idade.

Reações que podem ocorrer após a vacinação

As reações à vacina são raras, mas quando ocorrerem, precisam ser avaliadas por um médico:

  • Reações muito comuns: dor de cabeça, reações no local da aplicação como dor, vermelhidão, hematomas, inchaço – podem ocorrer em até 2 dias depois da injeção;
  • Reações comuns: náusea, diarreia, vômito, dor muscular, febre e cansaço – podem ocorrer após o terceiro dia da vacina;
  • Reações incomuns (menos de 0,1% dos pacientes): problemas neurológicos, como infecção no sistema nervoso – ocorrem de 7 a 21 dias depois da aplicação da vacina;
  • Reações raríssimas (poucos casos descritos no mundo): dor abdominal e nas articulações, icterícia (amarelão), falta de ar, urina escura, sangramentos, perda da função renal – podem ocorrer em até 10 dias após a aplicação da primeira dose da vacina. (Fonte: SBI)

São Paulo

Desde que foi confirmada, na segunda quinzena de outubro, a morte de macacos pelo vírus da febre amarela no Horto Florestal e no Parque Anhanguera, ambos na zona norte da capital, o Estado e a Prefeitura de São Paulo já fecharam 15 parques da zona norte da cidade e expandiram para 37 o número de UBS (Unidade Básicas de Saúde) que disponibilizarão, até o fim de semana, a vacina contra a doença para quem vive na região.

No momento, somente moradores da zona norte da cidade que nunca foram vacinados devem tomar a vacina como medida preventiva, visto que São Paulo não registra até agora nenhum caso de contaminação urbana.

Veja a lista de unidades que participarão da ação de intensificação de vacinação para a febre amarela na zona norte da capital aqui