Para as mulheres

Campeãs mundiais de cirurgia plástica

Mariana Fusco Varella*

mulher_espelho_destaque1O Brasil assumiu a liderança entre os países que mais realizaram cirurgias plásticas estéticas no ano passado. Em 2013, 1,5 milhão de pessoas se submeteram a esse tipo de cirurgia no Brasil, o que representa 12,9% das cirurgias eletivas mundiais, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, sigla em inglês). As mulheres foram responsáveis por 87,2% de todos os procedimentos estéticos, cirúrgicos e não cirúrgicos, no mundo todo no mesmo período.

Entre as cirurgias mais realizadas estão aumento e correção da flacidez das mamas, blefaroplastia (correção das pálpebras) e lipoaspiração.

Em 2012, 91.100 adolescentes se submeteram a cirurgias plásticas estéticas no país, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

A cirurgia plástica evoluiu muito nos últimos anos. As técnicas cirúrgicas e os novos medicamentos anestésicos garantem mais segurança aos pacientes, e os procedimentos também se tornaram mais acessíveis.

Todo indivíduo deve poder dispor do próprio corpo da maneira que lhe for conveniente. Ninguém tem o direito de recriminar uma pessoa que opte por mudar o corpo.

Mas não há como deixar de questionar o fato de o Brasil ter se tornado o campeão desse tipo de procedimento, principalmente entre as mulheres, que começam a fazer cirurgias cada vez mais jovens.

O que faz com que milhões de mulheres de todas as faixas etárias e níveis sociais se sintam infelizes com o próprio corpo a ponto de se submeter a procedimentos invasivos, dolorosos e caros?

Não é preciso ser especialista para sentir o descontentamento feminino. As brasileiras são mundialmente conhecidas pelo apreço à estética e aos serviços realizados em salões de cabelereiro. Quase toda mulher gostaria de mudar algo em seu corpo, e o faria se tivesse a oportunidade. O mercado da cirurgia plástica apenas explora esse sentimento.

Basta uma rápida olhada nas revistas femininas, nos comerciais e programas de TV para perceber que o padrão de beleza imposto hoje não condiz com o da maioria das brasileiras.

Onde estão as mulheres de altura, peso, idade, formas, cabelos e cor de pele diferentes? A maioria anda por aí, insatisfeita. E esse descontentamento se reflete no corpo, mas vai além: sem se sentir bem com sua aparência física, é difícil sentir-se segura em outras áreas.

E insegura e insatisfeita, a mulher torna-se alvo fácil da indústria da beleza.

Difícil dizer para a mulher se afirmar, sentir-se bem com ela mesma quando toda a sociedade diz o contrário.

A diversidade é uma das características mais louváveis da humanidade. Se fôssemos todos iguais, perderíamos parte do encanto. Enquanto as mulheres deixarem padrões alheios determinarem sua aparência pouco avançaremos em relação à liberdade feminina.

 

*Editora do site www.drauziovarella.com.br e do blog Chorumelas