Imunização

Vacina contra meningite B já está disponível no Brasil

Juliana Conte

A vacina que protege contra a meningite do tipo B já está disponível nas clínicas particulares brasileiras. Até o momento não existia nenhum tipo de imunização contra a doença, considerada de grande letalidade por conta da rápida evolução do quadro clínico após a infecção. Produzida pela GSK e aprovada em janeiro de 2015 pela Anvisa, a BEXSERO (nome comercial) é indicada a partir dos dois meses e pode ser aplicada até os 50 anos. A farmacêutica informou que vai comercializar a vacina para as instituições a R$ 340,00 a dose. Entretanto, fica a cargo das clínicas estipularem o preço final ao consumidor.

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O meningococo B (MenB) é um dos principais causadores de meningite bacteriana no mundo. Para se ter uma ideia da gravidade da doença, de cada dez casos, dois são fatais. As meningites bacterianas, que representam de 20% a 40% das meningites, são consideradas as mais graves, devem ser tratadas com antibióticos e requerem hospitalização em UTI, devido à alta taxa de mortalidade. Já as meningites virais, que felizmente são a maioria, são bem mais leves e em geral não exigem internação. Raramente, as meningites podem ser provocadas por fungos ou pelo bacilo de Koch, causador da tuberculose.

Segundo o pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da SBim (Sociedade Brasileira de Imunizações), é de extrema importância a criação dessa vacina, pois dentre as doenças que possuem prevenção atualmente, tais como as hepatites, a difteria ou o tétano, a meningite B é a mais letal. “Quando o paciente entra em contato com a doença, pode perder a vida ou então ficar com sequelas gravíssimas, como cicatrizes, amputações e debilidade motora.”

O que torna a enfermidade ainda mais traiçoeira é o fato de que seus sintomas são facilmente confundidos com os de uma virose, por exemplo. O paciente, a princípio, pode ter febre, náusea, vômito, dor de cabeça, cansaço e irritabilidade. Na sequência, pode apresentar manchas arroxeadas na pele, rigidez na nuca e sensibilidade à luz. “Infelizmente, é bastante comum a pessoa ir até o pronto-socorro diversas vezes e voltar cada vez com um diagnóstico diferente. Entretanto, se ela não for tratada imediatamente, pode morrer  em poucas horas”, ressalta o especialista.

Em março deste ano (2015), no Rio Grande do Sul, uma criança de 5 anos chegou a ir três vezes ao hospital. Nas duas vezes recebeu o diagnóstico de virose e lhe disseram que não seria necessário ficar em observação. Apenas quando o paciente começou a apresentar manchas na pele, os médicos suspeitaram de meningite, mas já era tarde demais. A transmissão da doença acontece por meio de secreção respiratória (presente na saliva, espirro e tosse).

Vacina cubana

No imaginário popular, a palavra meningite, principalmente a do tipo B, tem forte associação com o perigo por conta de uma grande epidemia que houve no Brasil, em meados da década de 1970/1980. Para tentar diminuir os números de casos no país, foi utilizada uma vacina de Cuba, que na época obtivera bastante sucesso naquele país, reduzindo o número de contaminados. O problema é que a vacina cubana, além de não possuir um tempo de duração muito longo, foi feita para evitar um tipo de meningococo B que circulava por lá, logo não teve muita eficácia no Brasil. Por esse motivo, a vacina não é mais comercializada no Brasil nem tem registro da Anvisa.

“A proposta de uma vacina nova contra o tipo B é totalmente diferente, pois antes se pegava simplesmente a parede da bactéria e colocava na vacina. Nessa vacina mais atual são captadas proteínas que ficam embaixo da parede celular da bactéria e que são responsáveis por induzir resposta de anticorpos. Por isso, quem recebeu a vacina cubana há alguns anos (basta ver se está escrito na carteira de vacinação), deve tomar a vacina nova”, enfatiza Kfouri.

Por enquanto, a nova vacina só estará disponível na rede privada. Kfouri, que também é membro do Comitê Técnico Assessor em Imunizações do Ministério da Saúde, diz que a inclusão no calendário nacional de imunizações depende de muitos quesitos, como efetividade, relação custo-benefício, se a rede comportaria a inclusão de mais uma vacina, etc.

 

Publicado em 07/05/2015