Planos de saúde

Reajustes

business chart showing successO modelo atual de cobrança dos planos de saúde se baseia no conceito de mutualismo: um grupo de pessoas se reúne, faz uma cotação e gera receita por meio do pagamento individual de mensalidades. O valor arrecadado é usado para pagar as despesas quando algum dos integrantes do grupo precisa de atendimento. Essa prática dilui os custos e reduz o preço do plano, permitindo que os contratantes se beneficiem de serviços que, individualmente, seriam mais caros. Entretanto, o custo assistencial sobe à medida que o paciente envelhece e passa a utilizar mais o sistema. Consequentemente, os preços dos planos de saúde aumentam.

As operadoras têm um processo padrão de cálculo de reajustes pautado na análise de quatro principais fatores:

* O custo dos produtos e serviços;

* A frequência com que se faz uso de tais recursos;

* Os reajustes de preços negociados periodicamente entre as operadoras e todos os prestadores de serviço;

* Os novos procedimentos incorporados ao rol de cobertura da ANS a cada dois anos.

Os custos são calculados por intervalos de idade, com duas faixas etárias extremas bem definidas: de 0 a 18 anos, e 60 anos ou mais. Por conta do Estatuto do Idoso, essa última faixa não pode sofrer reajustes que resultem em um valor final seis vezes maior do que o inicial, o que institui um limite de aumento.

Definidos os limiares, é preciso calcular o preço aplicado a cada intervalo, especialmente às idades intermediárias, cujas mensalidades são destinadas a abranger também os gastos com os planos dos idosos (o chamado pacto intergeracional).

Com a crescente expectativa de vida da população brasileira, o desafio para as operadoras é “criar” preços que respeitem tais limites e, ao mesmo tempo, viabilizem o atendimento.

Você pode consultar os últimos reajustes realizados por sua operadora no site da ANS.

Propostas para evitar o aumento de preços

Alternativas têm sido estudadas para conter o aumento dos preços de planos de saúde. Uma delas, proposta pela ANS, sugere diminuir a variação dos reajustes dos aposentados que contribuíram com o pagamento de planos empresariais. Esses cálculos levariam em conta toda a carteira de aposentados da operadora.

Outra medida a ser adotada seria substituir o modelo de “conta aberta”, utilizado atualmente pelos planos de saúde. Por esse sistema, é feita a cobrança de cada material consumido em uma internação. A alternativa seria uma “conta fechada”. Por esse modelo, os custos são estabelecidos de antemão e estão atrelados a perfis de gravidade, risco, faixa etária do paciente e práticas ou diretrizes acordadas com os médicos. A mudança evitaria maiores reajustes porque a “conta aberta” acaba sendo incentivada em parte pelos hospitais, que lucram com os serviços e produtos consumidos pelos pacientes. O sistema atual também provoca conflitos entre operadoras e médicos, pois cria um ambiente em que se promove a economia com honorários pagos aos médicos em detrimento de exames, procedimentos, internações, materiais e medicamentos, que geram “lucro” para hospitais e laboratórios.

Por fim, uma possibilidade que vem ganhando espaço é a da capitalização individual das mensalidades pagas. Essa proposta prevê que uma parte do valor arrecadado durante a fase adulta produtiva seja obrigatoriamente poupada para custear a mensalidade do plano daquela pessoa a partir dos 60 anos. Seria semelhante a um plano de previdência privada.


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