Sistema Imunológico

Lúpus: doença silenciosa que atinge mais as mulheres

Juliana Conte

Ainda pouco conhecido pela população, o lúpus é responsável pela internação diária de duas pessoas no SUS de São Paulo, segundo informações da Secretaria do Estado de Saúde. Não há dados exatos sobre o número de indivíduos com a doença, mas a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) estima que haja 65 mil pessoas com lúpus no Brasil, sendo que 90% dos casos são mulheres. Acredita-se que uma em cada 1.700 mulheres brasileiras tenha a doença.

De acordo com o reumatologista Luiz Carlos Latorre, membro da comissão de lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia, por ser uma doença do sistema imunológico, responsável por nos defender contra infecções e também pela produção de anticorpos e organização dos mecanismos de inflamação, a pessoa pode apresentar diferentes sintomas em várias áreas do corpo, como rins, coração e sistema nervoso central.  “Os anticorpos que deveriam nos proteger acabam atacando o organismo e causando inflamações nas células, tecidos e órgãos”, diz ele.

A causa da doença ainda é desconhecida pelos médicos, entretanto, existem fatores genéticos, hormonais e ambientais que influenciam o surgimento do lúpus. É importante destacar que ele  não é contagioso, pois essa é uma doença autoimune.

“A enfermidade está ligada a uma predisposição genética e atinge principalmente as mulheres na idade fértil, quando a produção de estrógeno (hormônio feminino), um autoformador de anticorpos, é alta. Entretanto, pode atingir indivíduos em qualquer faixa etária. O que pode contribuir para o aparecimento da doença para aqueles que já têm predisposição são algumas infecções virais ou bacterianas, medicamentos e exposição solar ”, esclarece de Latorre.

Irmãos de pacientes com lúpus têm um risco elevado de desenvolver a doença. Entre mães e filhos o risco também é alto, mas o fato de o indivíduo ser  suscetível à doença  não significa que ele irá necessariamente desenvolvê-la. Apesar disso, a paciente lúpica pode engravidar normalmente, desde que haja um acompanhamento médico adequado e a doença esteja sob controle há pelo menos seis meses.

Diagnóstico e Tratamento

Na grande maioria das vezes, o paciente passa por diversos médicos até conseguir um diagnóstico exato, já que o lúpus pode apresentar diversos sintomas, o que dificulta a sua identificação. “Normalmente o diagnóstico é postergado em um ano, até um ano e meio, o que não deveria ocorrer, porque a Sociedade Brasileira de Reumatologia realiza diversos cursos de atualização de clínicos, para que eles consigam identificar a doença o mais rápido possível e encaminhar logo o paciente para um reumatologista. Então, os sintomas mais comuns são dores articulares, febre, baixa produção de urina e, de uma hora para outra, o paciente pode apresentar diversas lesões na pele quando se expõe ao sol, o que chamamos de fotossensibilidade. Essa vermelhidão ocorre principalmente na face, mais especificamente nas maçãs do rosto, e as manchas costumar ter aparência de asa de borboleta”, explica o especialista.

O lúpus se caracteriza por períodos de atividade, quando o organismo passa a ser “atacado” e períodos de remissão, quando a doença fica inativa. O objetivo do tratamento, que pode incluir o uso de protetor solar, anti-inflamatórios, corticoides e imunossupressores, é evitar que o paciente passe por esses períodos de atividade da doença. Nos últimos anos, a sobrevida do paciente com lúpus tem sido cada vez maior.

“É importante ressaltar que a pessoa com lúpus pode ter uma vida normal. Ela necessita ter alguns cuidados básicos, como evitar exposição excessiva ao sol, não fumar, tomar cuidado com a taxa de colesterol, fazer atividade física e seguir o tratamento a risca”, ressalta Latorre.