Saúde pública

Inca defende taxação de refrigerantes para conter obesidade

Juliana Conte. com informações do Inca

O Inca (Instituto Nacional do Câncer) publicou na semana passada um posicionamento inédito acerca do sobrepeso e da obesidade. A fim de diminuir o problema, o órgão sugere o aumento da tributação de bebidas açucaradas e adoçadas com adoçantes não calóricos ou de baixa caloria; restrição da publicidade e promoção de alimentos e bebidas não saudáveis dirigidas ao público infantil; restrição da oferta de bebidas e alimentos ultraprocessados nas escolas; e aprimoramento das normas de rotulagem de alimentos que deixem a informação mais compreensível e acessível ao consumidor. É a primeira vez que o órgão se manifesta a respeito.

Segundo o relatório, enquanto na década de 1970 em torno de 24% da população adulta apresentava excesso de peso corporal, nos anos de 2002-2003 esses valores passaram para aproximadamente 41% da população com mais de 20 anos. Dez anos depois, os valores subiram ainda mais, alcançando 56,9% da população. Esse dado aponta um cenário crítico, no qual 82 milhões de brasileiros com mais de 18 anos de idade estão acima do peso recomendado.

Atualmente, o excesso de peso corporal está fortemente associado ao risco de desenvolver 13 tipos de câncer, como de esôfago, pâncreas, intestino, fígado, etc. De acordo com a entidade, alimentação inadequada , em conjunto com consumo de bebida alcoólica, inatividade física, excesso de peso corporal e obesidade são responsáveis por 21% dos cânceres em mulheres e 22,4% em homens, representando uma estimativa de 126 mil novos casos para o ano de 2017.

Segundo Inca, o México tem sido exemplo para inúmeros países que têm a intenção de implementar a taxação de bebidas açucaradas. O país adotou um imposto especial de consumo de 1 peso por litro de bebidas açucaradas em 1 de janeiro de 2014. Estudos recentes demonstraram  que as compras de bebidas tributadas diminuíram 5,5% em 2014 e 9,7% em 2015, apresentando uma redução média de 7,6% ao longo do período de estudo, e destacam que os resultados do México podem encorajar outros países a usar políticas fiscais para reduzir o consumo de bebidas não saudáveis, juntamente com outras intervenções para reduzir a carga das doenças crônicas.

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A íntegra do documento pode ser vista aqui -> Posicionamento do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva Acerca do Sobrepeso e Obesidade.