Planos de saúde

Exames

Patient lying under a linear accelerator or linac for cancer radiation therapyCom o avanço tecnológico, o surgimento de exames complexos e mais precisos teve grande impacto na saúde suplementar. Hoje, há uma enorme gama de procedimentos que auxiliam a acurar o diagnóstico e o tratamento. Além disso, o paciente se sente mais seguro ao receber em mãos os resultados em imagem e números do que pode estar lhe causando o mal-estar.

Entretanto, a solicitação de exames vem se tornando cada vez mais abusiva. Esse quadro se deve, em parte, à formação de médicos que são incentivados a se apoiar na tecnologia. Por outro lado, as operadoras optam por médicos despreparados (que se sentem mais seguros ao pedir exames do que ao realizar uma avaliação no próprio consultório, por meio de exame clínico, análise do histórico do paciente, etc.) e fazem de seus equipamentos ‘de última geração’ o carro-chefe de suas campanhas publicitárias.

No Brasil, o índice de procedimentos como tomografia e ressonância é bem alto se comparado ao de outros países que também adotaram a opção de saúde suplementar. Recentemente, de 467 casos enviados ao Hospital Israelita Albert Einstein com indicação de cirurgia, apenas 180 tinham realmente necessidade da operação. Além disso, quando observados os números de exames realizados em grandes laboratórios, nota-se que a maioria apresenta resultados negativos e que cerca de 30% sequer são retirados pelos pacientes. Em São Paulo, por exemplo, é sensível o número crescente de laboratórios de imagem e análises clínicas, reflexo do número cada vez maior de exames solicitados. Esses indicativos mostram o quão exagerado é o uso de procedimentos complexos por parte da saúde suplementar. 

Um aspecto pouco explorado desse quadro é o quanto isso afeta o valor do plano. Todo procedimento realizado pelo paciente faz parte do orçamento da operadora, então é de se esperar que, à medida que a quantidade de exames de grande complexidade aumenta, o orçamento aumenta e é, consequentemente, repassado ao cliente. Esse abuso nas solicitações promove uma falsa impressão de segurança e de que os exames não custam nada, nem para o paciente, nem para o médico. Contudo, numa visão mais ampla, o que se economiza em honorários médicos e consultas, por exemplo, é gasto em exames, elevando o valor do plano.

Falta a percepção de que uma prática médica feita com base no conhecimento sólido do médico evita a solicitação de exames desnecessários. Falta, também, a apresentação de uma alternativa ao método de pagamento do plano; algumas operadoras oferecem o que se chama de “coparticipação” – ideia já bem disseminada nos EUA – em que o beneficiário paga uma mensalidade menor mais um pequeno percentual daquilo que utilizar em exames, por exemplo, criando assim um fator moderador. Espera-se que, em breve, haja melhor interação entre operadoras, médicos e laboratórios a fim de que se chegue a um acordo em relação a essas práticas.


FacebookTwitter