II Fórum Ser Homem no Brasil

Saúde do homem em foco

Juliana Conte

Falar de saúde masculina, em termos de prevenção, não é tarefa fácil. Diferentemente das mulheres, que desde cedo passam pelos mais diversos exames ginecológicos a fim de previnir doenças como câncer de colo de útero, hpv e infecções vaginais, os homens parecem não se preocupar tanto com a saúde. Mas deveriam, pois morrem bem mais cedo que as mulheres (são quase oito anos de diferença) devido, entre outros fatores, à demora em procurar os serviços de saúde.

Isso resulta, muitas vezes, em doenças sérias que poderiam ser evitadas ou tratadas precocemente, como:

1) câncer de próstata: é a segunda causa de morte por câncer entre homens, ficando atrás apenas do câncer de pulmão;

2) câncer de pênis: embora poucos saibam, 1,6 mil homens precisam amputar o pênis anualmente no Brasil devido à doença;

3) HPV: causa verrugas genitais e lesões pré-malignas no pênis.

A resistência dos homens em cuidar da saúde foi destaque do II Fórum Ser Homem no Brasil, promovido pelo Instituto Lado a Lado, em Brasília, no início da semana.

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“É preciso, na verdade, uma mudança de conceito. O homem simplesmente não cuida da saúde em vários aspectos. O câncer de pênis poderia ser evitado se dessem mais importância à higiene. O de próstata, se houvesse, pelo menos, uma maior conscientização em relação aos sintomas. Vários problemas poderiam ser evitados se os homens ficassem atentos a alterações no pênis ou testículos“, salienta dr. Aguinaldo Nardi, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia.

Outra questão amplamente debatida foi a imunização dos garotos de 9 a 13 anos contra o HPV, que será oferecida pelos postos de saúde a partir de 2017. Para que haja engajamento da população, de acordo com a coordenadora geral do programa Nacional de Imunizações da Secretaria de Vigilância em Saúde, é preciso que a importância da vacina seja debatida nas escolas e que os professores consigam explicar seus benefícios, a fim de quebrar as barreiras culturais que muitas vezes estão por trás do preconceito em relação a essa vacina.

“Vai ser um grande desafio, porque vacinar adolescentes não é fácil. Como convencer que é importante se proteger de algo que só vai ocorrer daqui a dez anos, por exemplo? Por isso é necessário discutir a importância da vacina, para que não haja tantos ruídos como houve com a vacinação das meninas. A vacina, além de prevenir câncer de pênis, por exemplo, vai aumentar a proteção das meninas contra o câncer de colo de útero.”