Saúde do Homem

Brasileiros com D.E planejam dia e horário para relação sexual

Juliana Conte

Pesquisa recente de uma farmacêutica revela um dado interessante: no universo dos homens com disfunção erétil (DE), os brasileiros são os que planejam a sua vida sexual com mais detalhes. O levantamento, feito com 1,5 mil entrevistados em sete países – incluindo o Brasil -, comparou alguns hábitos sexuais desses homens. Entre as colocações, mais de sete em cada dez entrevistados (73%) no país afirmaram concordar com a ideia de programar dias específicos para a relação sexual. Mas talvez você esteja se perguntando: planejar para fazer sexo?

Vida atribulada, trabalho e filhos são alguns dos motivos apontados para o planejamento. “Atualmente, nos programamos para tudo na vida. Porque na questão do sexo seria diferente?”, indaga o urologista Luiz Otávio Torres, presidente eleito da Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM, na sigla em inglês). A programação com dia e hora, entretanto, não implica em menos sexo. A pesquisa mostra que homens com DE têm vida sexual ativa, com uma média de seis relações sexuais por mês.

O planejamento está relacionado à questão de ingerir medicamentos para ereção indicados para o tratamento do problema. Normalmente eles agem depois de 12 minutos, mas os médicos aconselham tomar com uma antecedência de até quatro horas antes da relação sexual, o que exige algum grau de planejamento. “É importante reforçar que esses medicamentos não induzem a ereção, mas facilitam. Sem estímulo não existirá o efeito da droga”, explica Torres.

A disfunção erétil ainda é tabu no meio masculino, o que faz com que muitos homens tomem a droga sem consultar um urologista. Medicamentos desse tipo não necessitam que a receita fique retida na farmácia, mas ainda sim são remédios com prescrição e contra-indicações. Uma das principais é para pacientes que tomam medicamentos a base de nitratos. Os nitratos provocam dilatação das artérias coronárias, e o uso junto com drogas para DE pode causar hipotensão, isto é, redução elevada da pressão.

A disfunção erétil pode ser de origem orgânica (associada a uma série de alterações físicas, como problemas cardiovasculares, distúrbios neurológicos, desequilíbrios hormonais ou lesões no próprio pênis) ou ter fatores emocionais envolvidos, como estresse, depressão, problemas financeiros e de relacionamento. Ao contrário do que muitos imaginam, as causas orgânicas são as mais comuns: constituem cerca de 80% dos casos.

Logo, o indivíduo que passa a tomar um medicamento para DE por conta própria acaba não tratando os problemas de origem. “É importante consultar um urologista, porque o paciente pode estar, por exemplo, com baixa testosterona, e pensa que tomando remédio para ereção vai funcionar. Só que não vai”. Além da consulta médica, é é essencial ficar atento a problemas comuns entre os brasileiros, como diabetes descontrolado, pressão alta, obesidade e colesterol elevado, fatores de risco importantes para o surgimento do problema.