Saúde da Mulher

Climatério

Drauzio Varella

Climatério não é sinônimo de menopausa. Climatério é o nome dado ao período de transição entre a fase reprodutiva e não-reprodutiva da vida feminina, que acontece como consequência do esgotamento da função ovariana. Menopausa é um diagnóstico feito “a posteriori”, depois que se passaram 12 meses sem ocorrer menstruações.

A queda progressiva das concentrações de estrógeno e progesterona, características do climatério, provoca sintomas de intensidade variável:

1 – Irregularidades menstruais

A alteração mais comum é o aumento da duração dos ciclos. Não são raros os ciclos de quarenta a sessenta dias, associados a sangramentos abundantes, que recebem o nome de hemorragias disfuncionais. Essas irregularidades podem preceder meses ou anos a instalação da menopausa, mas não são obrigatórias: há mulheres que mantém regularidade menstrual até
o último ciclo.

2 – Fenômenos vasomotores

Caracterizados por episódios súbitos de sensação de calor na face, pescoço e parte superior do tronco, que duram de meio a cinco minutos, geralmente acompanhados de rubor facial, sudorese, palpitações cardíacas, vertigens e fadiga muscular. Durante a crise, a temperatura da face chega a subir cinco graus centígrados em relação ao resto do corpo. Esse é o sintoma mais característico e frequente do climatério; cerca de ¾ das mulheres queixam-se das limitações impostas por ele. Em aproximadamente 80% dos casos, os sintomas persistem por mais de um ano; e, em 25%, por mais de cinco anos

3 – Manifestações urogenitais

A queda na produção de hormônios sexuais altera a consistência das mucosas da vagina e da uretra, dos vasos que as irrigam e do tecido conjuntivo situado abaixo delas. Podem surgir dificuldades para esvaziar a bexiga, dor e premência para urinar e incontinência urinária. A epiderme da vulva e a mucosa vaginal tornam-se mais delgadas, os grandes lábios atrofiam, o volume uterino diminui e o tônus dos músculos do assoalho pélvico afrouxa (“bexiga caída”, prolapsos retais, etc.). As infecções urinárias e ginecológicas
tornam-se mais freqüentes, há diminuição da resposta clitoriana à estimulação, redução da lubrificação vaginal, dor à penetração e redução da libido. A qualidade do orgasmo, no entanto, não é alterada

4 – Sintomas psíquicos

A redução dos níveis de estrógeno e progesterona interfere com a liberação de neurotransmissores essenciais para o funcionamento harmonioso do sistema nervoso central. Como consequência, muitas mulheres se queixam de irritabilidade, labilidade emocional, choro descontrolado, depressão, distúrbios de ansiedade, melancolia e alterações do humor.

5 – Alterações da pele

Em média, 2% do colágeno subcutâneo são perdidos anualmente nos dez primeiros anos de menopausa. Os pêlos, cabelos e unhas ficam mais finos e quebradiços. A aparência da pele perde o vigor.

6 – Alterações mamárias

O tecido fibroglandular característico da mama jovem é substituído progressivamente por tecido gorduroso. O mamilo fica achatado e perde a contratilidade.

7 – Rarefação óssea

O pico da massa óssea feminina é alcançado ao redor dos 30 anos. Daí até a menopausa, a mulher perde anualmente cerca de 0,18% do tecido ósseo que constitui o esqueleto das vértebras e das extremidades dos ossos longos. Atingida a menopausa, essa perda anual aumenta para 1% a 4%. Corre mais risco de osteoporose a mulher de baixa estatura, da raça branca ou amarela, com menor peso corpóreo.

Outros fatores de risco são: fumo, ingestão de excesso de cafeína, consumo excessivo de ingestão de vitamina D, sal, álcool, proteína animal, falta de atividade física, doenças como insuficiência renal, hipertireoidismo, diabetes e o uso de certos medicamentos.

8 – Alterações cardiovasculares

Mulheres com idades entre 45 e 49 anos apresentam 1/3 das doenças cardiovasculares dos homens na mesma faixa etária. Com o advento da menopausa, no entanto, a incidência no sexo feminino cresce até igualar a dos homens depois dos 70 anos. Doença coronariana é a principal causa de morte depois da menopausa.