Saúde

Diabetes: Uma em cada dez pessoas apresenta risco para a doença

Juliana Conte

Aproximadamente 10% da população brasileira apresenta risco elevado de desenvolver diabetes tipo II nos próximos anos, mas 60% desse grupo não tem consciência do risco. Isso é o que aponta uma pesquisa inédita divulgada esta semana e conduzida pelo Instituto Ipsos e uma indústria farmacêutica, que entrevistou 1103 pessoas em todas as regiões do país, com idades entre 16 e 70 anos, de todas as classes sociais.

O diabetes tipo II ocorre quando a insulina produzida pelas células do pâncreas não é suficiente ou simplesmente não consegue agir de maneira adequada. Com isso, o órgão passa a produzir pouca insulina para as necessidades do organismo. Segundo o médico Balduíno Tschiedel, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), os principais fatores de risco para a doença são: obesidade, sedentarismo, histórico familiar, alimentação inadequada (composta de fast foods e gorduras). “Diabetes é uma doença que está em expansão no mundo inteiro e as projeções são alarmantes. Hoje, temos 13,5 milhões de brasileiros com essa doença que está intimamente relacionada ao estilo de vida. Atualmente, 80% dos portadores de diabetes tipo II estão com sobrepeso.”

De acordo com Paulo Cidade, diretor do Instituto Ipsos, 70% dos entrevistados têm consciência que a doença é grave, entretanto não se dão conta que devem mudar alguns hábitos prejudiciais ao bom funcionamento do organismo, com o objetivo de não desenvolver a doença no futuro, mesmo quando incluídos no grupo de risco. “O que percebemos é que as pessoas estão um pouco mais esclarecidas, mas não sabem como organizar essas informações. Elas vão ao médico, fazem exames, mas não conseguem adotar um estilo de vida mais saudável, já que é muito difícil mudar determinados comportamentos. Outro dado preocupante é que somente 35% da população declarou que faz alguma atividade física regularmente”, diz.

Fica ainda mais complicado mudar comportamentos se o indivíduo acreditar que não será vítima da enfermidade, como lembra o médico. “Eu não consigo mudar alguns hábitos meus, você também não. Mas é importante ressaltar que o indivíduo precisa querer mudar. Contudo, na maioria das vezes, só costumamos dar atenção a esse fato quando já temos a doença. Diabéticos podem morrer por infarto ou, por exemplo, precisar amputar algum membro do corpo.”

Diversas doenças estão associadas ao diabetes, como hipertensão, obesidade, câncer; cerca de 80% dos portadores de diabetes morrem de doenças cardiovasculares.  Para tentar reduzir esse número e evitar mais mortes no futuro, a prevenção ainda é a melhor saída. “Quando se fala em atividade física, automaticamente se pensa em academia. Mas isso não é regra. Cinco vezes por semana de exercício aeróbico, como uma caminhada, por trinta minutos, já bastam para mudar o perfil da pessoa, que sai da zona de risco”, esclarece.

Idosos

A população de idosos está aumentando no Brasil, e de acordo com João Eduardo Salles, presidente do Departamento de Diabetes do Idoso da SBD, hoje temos 20 milhões de idosos com mais de 60 anos. Em 2020, por sua vez, haverá 1,5 milhão de pessoas com mais de 80 anos. “Um terço deles vai ter diabetes. Nesse ponto, o fator idade ajuda a desencadear a doença. O que eu ouço muito as pessoas dizerem é que o diabetes do idoso é tranquilo, sem complicações. O que não é verdade. Quem descobre o diabetes mais idoso, tem complicações logo de cara. Então, é necessário adotar hábitos de vida saudáveis o mais cedo possível”, finaliza.